Tire os olhos da tela do celular ou do computador. Gire à direita e à esquerda. Perceba seus colegas de trabalho e o mundo que existe além da sua sala. Consegue ver mais diretoras, gerentes, CEOs, CTOs e CIOs por aí??? Sim, é verdade!

Elas, que até 1962, só podiam trabalhar fora de casa com o consentimento do marido, e até 1974 eram proibidas de ter cartão de crédito − a não ser que um homem assinasse sua aplicação − ainda são minoria em cargos de chefia (ocupam apenas 19% dos cargos de alto escalão no país, enquanto 24% é o índice médio global).

Mas há um movimento ascendente − mesmo que lento − mudando essa história por aqui e pelos quatro cantos do mundo.

Hoje, mais mulheres ocupam cargos de liderança, estratégicos e decisivos. Outras, assumem o comando da própria vida e empreendem, se aventurando em transformar sonhos em realidade.

Para discutir o protagonismo feminino e todas as suas nuances, a Agile Coach e consultora, Flaviana Rampini conversou com três convidadas mais do que especiais: Andrea Greco, Psicóloga, Especialista em RH, Diretora da Alcance Assessoria e idealizadora do Conecte-se Rede de NetworkingErika Scheiner, comunicadora, Gerente de Criação da Eleva Educação, catalisadora do DazIdeia, e especialista em Design Thinking, Branding e Inovação; e Rafaela Souza, Coordenadora de Planejamento de Manutenção de Rebocadores no Grupo Wilson Sons, professora de defesa pessoal feminina e palestrante sobre o tema violência contra a mulher.

A .addPlay na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube.

Confira no artigo a seguir o debate desse tema incrível!

Mulheres no comando

Entre papéis, canetas e batons, há um vasto universo criativo, intenso e sensível. Particularmente tão forte, que é capaz de derrubar preconceitos e tabus, desafiar regras, desconstruir ideias e transformar o mundo (para melhor, claro!) com sabedoria e muito talento.

Desde a primeira revolução industrial, grandes conquistas já foram alcançadas por elas. Determinadas, venceram importantes batalhas. Trocaram a sala de casa pela sala de aula, desenvolveram competências e soft skills essenciais para o progresso profissional, e provaram o seu valor ao mercado de trabalho.

E embora ainda seja um longo ‘duelo’ (mulheres ocupam apenas 19% dos cargos de alto escalão no país, enquanto 24% é o índice médio global), parece que caminham de forma sensata e constante rumo ao combate contra o machismo, a desigualdade de gênero e as diferenças salariais.

Em 1950, somente 13,6% das mulheres eram economicamente ativas. Em 2010, esse número chegou a 49,9%, o que significa que, em 60 anos, a participação feminina no mercado de trabalho mais do que triplicou, segundo o IBGE.

Os sinais de progresso são sólidos − ainda que brandos

e não param por aí. Pesquisas apontam que empresas com mulheres no quadro de funcionários lucram até 25% mais. Um relatório publicado em 2018, afirma ainda que organizações com mais mulheres no board tendem a ter um bom índice de retenção de talentos e a tomar decisões mais assertivas e ágeis (em menos tempo).

Um quarto de liderança

A pesquisa “Women in Business”, da Grant Thornton (2016), comprova que 25% dos cargos de liderança do planeta são ocupados por elas. Entre 2016 e 2017, o Brasil registrou um aumento da presença de mulheres tanto em cargos de CEO, que subiu de 11% para 16%, quanto no comando financeiro (CFO), de 5% para 11%, o que representa um excelente resultado!

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Imagem: Grant Thornton

A nova cara do mercado

Uma pesquisa do Sebrae revela que em 2016, mais da metade dos novos negócios foi fundada por mulheres. Mais escolarizadas do que os homens empreendedores, elas atuam, principalmente, no setor de serviços. O relatório aponta que, num período de dez anos (2001 a 2011), o número de empreendedoras cresceu 21%, enquanto o de homens cresceu apenas 9%.

Segundo dados da Serasa Experian, as mulheres comandam 43% de todos os negócios do país e 73% das mulheres são sócias de alguma pequena ou média empresa. E tem mais: além de inovadoras, são ótimas gestoras.

Em 2017, ápice da crise econômica no Brasil, elas atravessaram a turbulência com maestria e apresentaram resultados melhores do que eles, como comprova um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas.

Nesse ano, 8 milhões de empreendedoras no Brasil já estavam mudando a ‘cara’ do mundo dos negócios, e 68% delas trabalhando em casa.

Sem dúvidas, ter talento, convicção, autoconfiança e coragem para vencer os desafios são características comuns a(o)s grandes empreendedores (as). Mas a crescente consciência feminina sobre o seu valor e a capacidade de mostrar isso para o mercado, são os fatores que mais colaboram para a credibilidade desse movimento que já impacta positivamente tanto a economia quanto a sociedade.

Independentes e seguras, as empreendedoras ganham espaço em ritmo acelerado, pois perceberam que são capazes de mudar os rumos da história, ou de (re) construir a sua. Muitas desenvolveram um jeito próprio de empreender e estão cada vez mais engajadas em projetos que podem transformar o mundo, mas em sua maioria, ainda precisam contar com uma rede de apoio para fazer acontecer, principalmente as mulheres que têm filhos.

É o caso de Andrea Greco, psicóloga que decidiu empreender no período pós-maternidade quando sentiu a necessidade de rever prioridades e realinhar sua vida.

“Me reinventei. Nós somos multifuncionais e foi neste momento que decidir criar a minha própria empresa de Recursos Humanos para estar mais próxima da minha filha e me realizar profissionalmente”, explica.

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Andréa Greco

Andréa é o retrato da empreendedora brasileira. Quase que uma persona, podemos dizer.

Geralmente, elas têm expertise e experiência no mercado e decidem montar o próprio negócio mais tarde, começando a empreender após a maternidade.

Em média, elas têm 39 anos, sendo a maioria casada e com filhos, e 30% pertence a Classe C, enquanto 35% das mais maduras pertencem a classe A.

Ousadas, corajosas e polivalentes41% iniciaram seu empreendimento sem capital e mais 41% empregaram a Poupança, investimento próprio ou rescisão de contrato de trabalho para iniciar seu negócio.

Mais da metade (55%) faz isso sozinha, sem sócios. Quando decidem abrir uma sociedade, apostam nos maridos, amigos ou familiares, dividindo em partes iguais.

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Não tenha medo, tenha propósito!

Mas aonde está o segredo do sucesso? Nelas mesmas! Propósito, cultura, disciplina e autoconhecimento. Essa é a fórmula que dá certo para todos os profissionais. Estar preparada, saber o que realmente quer e o destino (objetivo) que deseja alcançar, facilita o caminho (o como) para chegar lá.

Erika Schneider destaca que o diferencial está em se conectar com a própria essência e em entender o que faz mais sentido para si, o que motiva e o que as deixam realmente felizes. Ela acredita que o protagonismo feminino e as iniciativas empreendedoras não são nenhuma novidade, mas ganharam destaque nos últimos anos devido ao aumento da divulgação e da relevância dos temas, que vêm conquistando cada vez mais espaço na mídia e na sociedade.

“É como o futebol feminino: sempre existiu, mas não era valorizado. Hoje, o empreendedorismo feminino é crescente e também está sendo mais divulgado. Conheço muitas gestoras, que atuam há bastante tempo nos mais variados mercados. É muito bacana assistir à valorização de iniciativas importantes feitas por nós, mulheres”, pontua.

Erika Schneider
Erika Schneider

E enquanto a maior parte do homens visa a rentabilidade e estabilidade financeira, as novas empresárias pensam bem diferente deles. Talvez esse seja o motivo de tanto sucesso: ter um porquê e trabalhar por ele.

Mais do que o lucro, a realização pessoal, a flexibilidade de horário em prol do bem-estar da família e a possibilidade de transformar o ambiente ao seu redor trabalhando com o que se gosta é o que as motivam.

“Capacidade não tem gênero”

E o universo corporativo visto como predominantemente “masculino” desde o início, está acompanhando essa tendência mundial?

Rafaela Souza, Coordenadora de Planejamento de Manutenção de Rebocadores no Grupo Wilson Sons, pode afirmar que sim.

Rafaela Souza

Oriunda da área de T.I., ela lembra que na década de 2000, havia uma hegemonia masculina nas empresas de tecnologia. Hoje, ela coordena uma equipe com 30 engenheiros no mercado off shore e, apesar de grandes barreiras, consegue manter características como a vaidade e a delicadeza no dia a dia, levando a “alma feminina” para um setor que ainda respira testosterona.

Com orgulho e competência de sobra, ela explica como está mudando paradigmas por lá:

“Costumam dizer que meu cargo é disruptivo. Quando fui promovida, meu gestor afirmou que estava escolhendo capacidade, e não gênero. Que somos iguais, e quando o exemplo vem ‘de cima’, torna tudo fica mais fácil”.

Rafaela revela que sofreu preconceito no início da carreira, mas percebe que caminhamos para a igualdade de gêneros no mundo dos negócios.

“Tive muitos discursos interrompidos em reuniões e precisei contornar situações constrangedoras. A confiabilidade no tom de voz masculino ainda existe, mas está bem mais equilibrado. Aprendi a lidar com isso. Temos que ser nós mesmas sem perder a sensibilidade feminina, o olhar em cada detalhe, vencer a insegurança e ter convicção do nosso potencial. Porque capacidade não tem gênero”, destaca.

Ela está certa. Quanto mais múltiplos e diferentes fomos, fazemos mais e melhor.

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